terça-feira, 17 de agosto de 2010

Mais uma da família marinho...

Capa da revista Época, das organizações globo publicada esta semana, coincidentemente quando começa o horário eleitoral na TV e Rádio.

Se alguém duvidava da capacidade da rede globo em influenciar decisões importantes de nosso país, acredito que não duvida mais, a revista época do grupo globo, publicou uma matéria tendenciosa em que relata a atuação da candidata do PT à Presidência, Dilma Rousseff (PT), durante o período da ditadura militar (1964-1985), dando destaque especial à sua participação em movimentos de luta armada. Se as emissoras de rádio e TV, são de concessão pública, como podem favorecer um lado ou o outro na disputa eleitoral, isso não seria prejudicial a nossa democracia? a rede globo nunca assumiu publicamente em quem vota, mas os editoriais de seus telejornais e revistas estão carregados de maquiagem e de um jogo de interesses que só favorecem o candidato tucano, e isso não é de hoje, o passado obscuro da família marinho e como ela chegou ao topo do monopólio da informação está impregnado de sujeira, que se arrasta desde a ditadura militar até os dias de hoje. Não tive a oportunidade de assistir a série de entrevistas com os candidatos a presidência da República veiculada pelo Jornal Nacional, mas quem viu relata como foi tendenciosa a forma em que a candidata do PT foi interrogada, de forma ríspida e tentando encontrar um ponto fraco que pudesse ser usado posteriormente nos guias eleitorais e em debates, já o candidato tucano parecia está no sofá da sua "casa", ao contrário de Dilma ele foi impulsionado pelos entrevistadores. Meses atráz a revista veja publicou uma reportagem veiculando a imagem do PT às farc (forças armadas revolucionárias da Colômbia) e uma suposta ligação de Dilma com a guerrilha.  O eleitor antenado com os fatos dificilmente engole essas artimanhas da família marinho, mas a preocupação é aqueles eleitores menos informados, que podem ser influenciados pelo medo da imagem que a oposição está criando de Dilma. Parece que a história volta a se repetir, quando a mesma rede globo descaradamente manipulou o debate entre Lula e Collor, o que mudou os rumos da campanha levando Collor ao palácio do planalto.

Segue abaixo reportagem do R7 sobre a polêmica:

A menos de dois meses do dia da eleição, o “vale tudo” das campanhas começa a tomar conta do noticiário de alguns veículos de comunicação que, segundo especialistas ouvidos pelo R7, favorecem algum dos lados mesmo sem declarar publicamente. Nesta semana, a polêmica da vez é a capa da revista Época, da Editora Globo, que retrata a atuação da candidata do PT à Presidência, Dilma Rousseff (PT), durante o período da ditadura militar (1964-1985), dando destaque especial à sua participação em movimentos de luta armada.


Para o sociólogo e jornalista Laurindo Lalo Leal Filho, professor da ECA (Escola de Comunicação e Artes) da USP (Universidade São Paulo) e fundador da ONG Tver, voltada para o acompanhamento da qualidade da televisão brasileira, a imprensa tem papel fundamental no processo eleitoral.

Ele defende que veículos impressos declarem seus votos, como fez a revista Carta Capital ao escrever um editorial listando os motivos pelos quais defende a candidatura de Dilma.

Para Lalo, no entanto, por se tratar de concessões públicas, emissoras de rádio e de televisão não deveriam favorecer nenhum lado.


- O distanciamento do rádio e da televisão é fundamental. Devem participar, mas dando a oportunidade a todos os partidos. É mais complicada a participação dos meios eletrônicos porque rádio e televisão são concessões públicas. É ruim para a democracia que esse espaço seja privatizado.

Ele aponta como exemplo de favorecimento as entrevistas que os candidatos à Presidência concederam ao Jornal Nacional, principal telejornal da TV Globo.

- Enquanto a candidata do governo era inquirida, de uma forma até bastante ríspida, os entrevistadores tinham uma nítida tendência a impulsionar o candidato da oposição.

Em nota, a emissora negou na semana passada ter favorecido qualquer um dos candidatos na série de entrevistas.

Lalo ainda diz que a reportagem que mostra Dilma como guerrilheira, publicada pela revista Época, deve ser reproduzida durante os programa eleitorais no rádio e na TV, dando mais destaque para a imagem negativa da petista.

- Isso é feito para ser usado no horário eleitoral, não é a toa que é publicada na mesma semana [que os programas começam a ir ao ar]. Ela não tem tanta relevância sozinha, até porque a tiragem da revista é baixa. A importância talvez seja para ser mostrada no programa.

Cientista político


A cientista política e professora da UFSCAR (Universidade Federal de São Carlos) Maria do Socorro - que também defende que revistas e jornais declarem voto – diz que reportagens como a da Época, publicada às vésperas do início da propaganda eleitoral gratuita, podem pegar de surpresa os eleitores menos informados.

- Acho que é um pouco retornar àquela velha cultura de jogar assuntos que levem ao medo, que aterrorizam o eleitor.

Ela lembra que o primeiro “jogo sujo” da oposição à Dilma nesta campanha foi ligar o PT às Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia).

- Quando há a possibilidade de perder num primeiro turno, usa-se todos os meios para desconstruir a candidatura que lidera. A tendência, agora, será a de abrir fogo contra Dilma.



Processo

O advogado responsável pela campanha petista, Márcio Silva, afirmou ao R7 que, até agora, ninguém da coordenação pediu que ele processasse a Época, ao contrário do que aconteceu com a revista Veja, obrigada a publicar um direito de resposta em suas páginas por ter vinculado Dilma às Farc.

O advogado defende que, antes da campanha, jornais e revistas declarem quem é seu candidato preferido. Ele diz ainda que o sigilo dos patrocinadores de jornais e revistas deveria ser quebrado para que o leitor saiba se quem paga para mandar a publicação para a banca tem interesses eleitorais.

- Os jornais e revistas deveriam explicitar o lado em que estão e mostrar quem os patrocinam. Isso teria de ser escancarado.

Procurada pelo R7, a Editora Globo não se manifestou sobre o assunto até a publicação da reportagem.

Do R7

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